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Eu com Javé

segunda-feira, 22 de março de 2010

Alê no País das Teologias

Cap. 1 – Para Baixo na Toca do Coelho Macedo

Um conto de Kalyl Clive¹

Alê estava descansando ao pé de uma árvore numa bela tarde ensolarada, ele adorava aquele parque, havia muitas árvores centenárias, um lago, gansos e patos, dos patos ele não gostava muito, mas adorava ler naquele parque e ver o mundo acontecendo. Alê é um garoto que tem um olhar muito especial, ele consegue ver coisas que ninguém mais pode ver, ou ninguém mais quer ver. Naquela tarde ele lia, seu olhar pesou sobre as páginas de Jilton Moraes, Homilética da Pesquisa ao Púlpito.

Acho que a leitura não era de todo seu agrado, cochilou ou pensou que cochilou, não sei, mas viu um coelho branco de olhos cor-de-rosa passar correndo de paletó e gravata que dizia para si mesmo “Oh puxa! Oh puxa! Tá amarrado! Saí encosto do atraso!”. Mas ele não achou nada estranho até o coelho olhar seu relógio de bolso, aqueles redondinhos com uma correntinha que prendemos no bolso interno do paletó, ele nunca tinha visto de perto um daqueles, só pelos filmes.

Ardendo de curiosidade começou a correr pelo parque atrás do coelho e viu a tempo ele entrar super rápido em uma toca próxima ao lago. No mesmo instante Alê entrou na toca seguindo-o sem pensar como faria para sair dali. A toca do coelho dava diretamente em um túnel, e então aprofundava-se repentinamente. Tão repentinamente que Alê não teve um momento sequer para pensar antes de já se encontrar caindo no que parecia ser bastante fundo.

Ou aquilo era muito fundo ou ele caia bem devagar, pois lhe restava tempo mais que o suficiente para analisar com seu olhar peculiar o que havia ao seu redor e para desejar saber o que seria de seu futuro.

Primeiro tentou olhar para baixo e compreender para onde estava indo, mas este futuro era incerto, muito escuro para que pudesse ver algo. Então decidiu olhar para o que estava ao seu lado, por todos os lados do poço e percebeu que ele era cheio de prateleiras: aqui e ali viu mapas e quadros pendurados em cabides. Alê apanhou um pote de uma das prateleiras ao passar: estava etiquetado “GELÉIA DE REVELAÇÃO SABOR LARANJA”, mas para seu grande desapontamento parecia estava vazio, não abriu. Pegou outro onde estava escrito: “GELÉIA DE INSPIRAÇÃO SABOR UVA”, mas não quis experimentar, ficou cheio de dúvidas em relação ao conteúdo. Ele não jogou os potes fora por medo de machucar alguém que estivesse embaixo e por isso precisou fazer algumas manobras para recolocá-los em uma das prateleiras.

Alê começou a imaginar quantos metros ele já havia caído, enquanto fazia as contas, cansou e dormiu. Assustou-se com o que parecia ser o fim da queda e realmente era. Caiu sobre uma pilha de coisas macias que não sabia o que era, ao sair do meio daquilo viu uma plaquinha onde estava escrito: “PROVIDÊNCIAS”.

Olhou para todos os lados e viu que estava em uma sala muito grande, grande mesmo para todos os lados, alta, profunda, longa, larga, comprida, espaçosa, ele achou que todos estes adjetivos lhe cabiam. Enquanto analisava a sala e tentava abrir, uma a uma, as milhares de portas que haviam ali viu novamente o coelho-do-relógio super apresado correndo e olhando para o seu relógio e exclamando: “Oh puxa! Oh puxa! Tá amarrado! Saí encosto do atraso!”. E passou correndo entrando em uma minúscula porta por onde ele nunca conseguiria passar de tão pequena que era.

Ainda ardendo de curiosidade começou a praguejar, estava preso naquele lugar, que tormento! Precisava de algo que viesse para lhe libertar. Foi quando percebeu que ao lado da plaquinha “PROVIDÊNCIAS” não havia mais aquela pilha de coisas onde ele havia caído em cima, no lugar estava uma mesinha e uma garrafa de suco, ele achava que era suco. Alê pegou a garrafa e viu que estava escrito: “SUCO DE ILUMINAÇÃO SABOR MANGA”. Bebeu! O que ele tinha a perder? Encolheu! Foi o que aconteceu.

Pois bem! Pelo alongar da hora depois retorno para continuar a história, mas antes já lhe respondo: O que sei desse conto é o que o próprio Alê me contou, ou acho que ele me contou, não sei. Dele conheço mais do que ele pensa e menos sei de seus mistérios que gostaria. Aproveito e ofereço este conto, como um Feliz Aniversário Atrasado... E para os demais, espero que vejam Deus nessas palavras, aliás, como diz Alê, Deus não se revela apenas através de 66 livros...

To be Continuará, on next Capítulo...

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¹ Baseado no Livro Alice no País das Maravilhas de Lewis Carroll

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